os moliceiros têm vela (292)


cigarra que canta a formiga

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o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida

escrevo o que sinto
sou as minhas palavras

cigarra que canta a formiga
faz do inverno verão

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o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida

(murtosa; cais do bico; 2016)

 

postais da ria (235)


pode ser o fim de

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depois dos homens
muito depois
ficarão os destroços

memórias limpas
de ter havido gente
que fez barcos e filhos
pescou e disso viveu

procurarão então
rostos e histórias
mas será tarde

como sempre
quando ser de hoje
não é ser os seus

não estarás cá
para ouvir os lamentos
nem isso vales

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(algures na ria de aveiro; num tempo a haver)

2018 na ti rosa


2018 na ti rosa

000 ahcravo_ DSC_1165 s bw_rosa de avanca

ti rosa de avanca

há quem encha
os olhos de mar
e por isso exista

há quem traga
o mar nos olhos
e isso lhe baste
é a ti rosa

sento-me num banco
encontro amigos
trocam-se cervejas
uma garrafa de água
não me esqueço de ti massa
voam conversas jornais
cartas e dominó

na ti rosa
há mar em terra
e uma figueira

na ti rosa em 2018
tá combinado

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ti rosa de avanca

(torreira; à porta da ti rosa de avanca)

mãos de mar (39)


vou por aí

não conto os dias
foram são serão
sempre dias

conto risos e lágrimas
por chorar

os que se lavam em lágrimas
não imaginam como é
ficar sujo por falta delas

conto as mãos
as dadas as negadas
as que nunca e as que sempre
as do engano também

conto sonhos e desilusões
amigos que morreram
e outros que partiram
sem morrer

conto-me como coisa outra
um eu dentro de mim
revisito-me para me ver melhor
sinto que algures fui

hoje como sempre
vou por aí
sim amigo poeta
vou por aí

enquanto puder
vou por aí

vou por aí

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(por aí; ao pé do mar; num ano qualquer)