vidas com escamas
quantas safras
em quantos sacos
estas mãos
vidas com escamas
isso te digo
destes homens
destas mãos

(torreira; 2015)
vidas com escamas
quantas safras
em quantos sacos
estas mãos
vidas com escamas
isso te digo
destes homens
destas mãos

(torreira; 2015)
até um dia
como se um filho
a rede nos braços
a vida ganha-se
não é oferecida
a mim não
a areia sob os pés
cede prende
pesados passos
o sol ainda não
e o arrais
deu ordens de mar
chego
chego e faço minha
esta praia
onde venho ao mar
buscar o pão
até um dia

(torreira; 2012)
dos amigos e não só
cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo
para alguns
amanhã foi ontem
são eles
que fazem os dias
mais tristes

a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas
(torreira; porto de abrigo; 2013)
ao tempo

o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço
quando for com o vento
ficarão palavras e imagens
sonhos ilusões muitas
ilusões muitas
eu quase todo sem ser já
sussurros de água
na boca de um barco morto
os gestos o ter feito
o que me fizeram
deixo ao tempo o juízo
ao tempo
que outro deus
não conheço

o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço
(torreira; regata da ria; 2014)
amar o sal
escrevo sorriso
com s de sal
sou feliz aqui

gilda saraiva, presidente da figueirasal – associação de produtores de sal do salgado da figueira da foz
(armazéns de lavos; achegar; 2016)
dos capatazes
falam como se
donos fossem do que
lhes não pertence
porque nosso
não têm senão
a ilusão de um poder
efémero delegado
calçam sapatos luva
que nas mãos
melhor lhes ficariam
existem porque são
mandados para mandar
nada me custa
por esse mesmo motivo
mandá-los
sabem bem onde

mãos de mar, de trabalho, estas
estórias da berma da estrada *

se livro houvera
seria o título
disseste-me
conheço-te e
muitas estórias tuas
sei que
não haverá livro
porque
o título já o é
(* título roubado ao meu irmão domingos augusto)

(torreira; 2010)
hoje, dia 11 de janeiro, coincidência ou não, mas já havia protecção – móvel, mas havia.

prever e planear são duas coisas frequentemente estranhas entre nós.
era de prever que aqueles socalcos eram perigosos, logo deveria ter sido planeada e projectada protecção física impedindo quedas, a incluir na obra.
mas não, agora é preciso levantar pedras, implantar apoios para as protecções, voltar a regularizar calçada …. enfim, o povo paga.
para se ter uma ideia do espaço entre a saída do quiosque e a protecção, agora colocada, veja-se a foto seguinte:

sem comentários.
esperemos agora que a protecção fixa, definitiva, seja colocada.
até agora não se magoou ninguém, nem me parece que, com estas medidas provisórias se venha a magoar.
se foi por publicações no face, se por reclamações em sítios apropriados, nunca o saberemos. o que sabemos é que poucos dias depois da publicação que fiz e divulguei aqui está, coincidência ou não, o que se pretendia: a segurança dos cidadãos.
escrever
escrever como se
em pedra
esculpir letras
nelas o sentir
ferir os dedos
calejar os olhos
estranho ofício este
de escrever o sorriso
a lágrima
entre linhas

alar
(espinho; 2012)
escrever
escrever o que sinto
até
sentir o que escrevo
é neste labor
que os dias
se fazem maiores

(torreira; safar redes; 2013)