postais da ria (284)


escrevi-me
 
0 ahcravo_dsc_3390_ti zé costeira

o falecido ti zé costeira regressava de mais uma pescaria, a remar à ré como numa #caçadeira

recuso-me a ser água
onde barcos a navegar
barco serei eu
 
sou as minhas palavras
sinto-me nelas são-me
 
recuso-me a ser vaso
onde flores plantadas
flor serei eu
 
dentro da garrafa de belo rótulo
o vinho azedou
enganado foi quem o comprou
 
recuso o carnaval
só em veneza
belas as máscaras
 
sou e assino
escrevi-me
 
(torreira; 2013)
 

postais da ria (281)


mau feitio

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os rilho, pai e filho, a mesma faina

chamam-lhe rio
e é salgada a água

chamo-lhe memória
e é cada vez mais isto
imagens penduradas
nos olhos onde amigos
nascentes de sentir

chamo-lhe mar e digo
há outras praias
onde a mesma gente
com outros nomes
a mesma arte

tens mau feitio dizem
sabes não é fácil
ser rio de água salgada

(torreira; cirandar; 2016)

crónicas da xávega (283)


vou

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falo do incerto
do por vir

todo o início é

teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos

todo o caminho é

falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras

incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu

na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

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(torreira; 2010)