“quando o mar trabalha” o fotofilme


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início dos anos 70

em 2018 publiquei o meu segundo livro, com o título ” quando o mar trabalha” – está esgotado. um amigo, o amigo de sempre, fez com as as fotos do livro o filme a que assististe.
mas o livro não era só fotos, eram também “falas”, por isso ficam aqui algumas palavras, algumas “falas”.
aqui ficam três
“caminho na areia
não sou daqui
estranho este chão macio
quase não chão
quero ver os meus irmãos
trabalhadores do mar
saber de outras fainas
venho de negro
a minha cor desde que
também eu amo o mar
por isso
até morrer
o venho sempre visitar “
“sou a que fica em terra
à espera dele
a que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta
sou a que grita
quando o mar está bravo
o barco sobe na crista da onda
o arrais
bota! bota! bota!
sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui “
“este rosto vos deixo em testamento
riqueza única amealhada
em vida
sou todos os que foram
fui todos os que serão:
destino com porta virada para o mar
este rosto vos deixo
de ser eu
Pescador da Xávega
este rosto vos deixo
cuidai de o não esquecer “
outras há que muitas são as “falas” das fotos
o livro entretanto esgotou, agora só juntando no mínimo 20 pedidos se podem mandar vir mais.
obrigado a todos os que me permitiram fazer este livro, editado pela ” Almalusa” que se responsabilizou pelo design também, com o empenhamento pessoal, como é hábito, do meu amigo jorge pinto guedes.

crónicas da xávega (346)


a hora do quinhão

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praia de mira; 2009

 
não têm rosto
nunca o tiveram
mesmo que o produto da sua faina
seja o mais apreciado
 
são pescadores artesanais
das artes da arte-xávega
da xávega
 
pescadores
quase todos o foram
para voltarem a ser
 
longe do mar fizeram vida
a vida que o mar lhes negou
 
regressam por vício
ou porque
como o povo diz
o bom filho a casa torna
 
é a hora do quinhão
que foi boa a pescaria
 

de “O FARDO DO HOMEM BRANCO” de madalena de castro campos


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os poemas constantes deste vídeo fazem parte do livro “O FARDO DO HOMEM BRANCO”

 

(nota: este vídeo está classificado para “maiores de 18 anos”, pelo que só é visionável por quem tem canal no youtube [tem de iniciar sessão para o ver])

postais da ria (355)


os amigos de

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torreira; jim; safar redes; 2019

 
sentava-me à mesa do café
lia poesia
 
os meus poetas à minha mesa
falavam-me
 
eu era jovem e o tempo imenso
 
sentava-me à mesa do café
sem urgências
 
as de agora com tanta fome
dos amigos de então
 

josé gomes ferreira no dia mundial da língua portuguesa


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no dia mundial da língua portuguesa
um poeta fundamental e tão esquecido
josé gomes ferreira
 
o “poema X” é parte do conjunto “Panfleto contra a paisagem” de 1936-1937, inserto no livro “Poesia I”