quando

com joão costeira
quando te contarem
cala
mesmo sabendo que
falso
não perturbes o lento
desmoronar da casa
(torreira; o largar da solheira; 2010)
quando

com joão costeira
quando te contarem
cala
mesmo sabendo que
falso
não perturbes o lento
desmoronar da casa
(torreira; o largar da solheira; 2010)

o meu arrais, joão da calada, nos anos 90, meu mestre e grande amigo
é tempo de falar da companha que me ajudou a trazer à praia este trabalho, dizendo os seus nomes.
na escolha dos textos: maria josé barbosa e antero urbano
no trabalhar e seleccionar das imagens: jorge bacelar
na definição do formato do livro e acompanhamento da sua elaboração: helena mouro
na edição e em tudo: jorge pinto guedes (o meu editor e um grande amigo)
no lançamento na torreira, o pessoal de terra:
manuel arcêncio, director do agrupamento de escolas da murtosa, que entendeu desde sempre o meu trabalho e nesta fase final cedeu o espaço e toda a logística.
maria josé ferreira e arlindo silva, que trataram da parte mais delicada do lançamento: entregar os livros, receber os euros e prestar contas.
a todos eles o meu obrigado e um abraço comigo dentro.
bem hajam.
o filme ficou assim
quando o mar trabalha

depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto
é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro
em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes
fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou
deu-se o porfio
fechou-se o saco
é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa
(torreira; 2011)
zé pedro

neste registo de 2013 o zé pedro deveria ter ainda 13 anos e já estava a coser o pano de uma vela.
em 2009 com 10 anos quando o avô, o mestre zé rito, construiu o moliceiro no estaleiro ao lado da casa, já ele andava a acompanhar a construção e a “botar” opinião.
depois começaram as participações em regatas, aos 12 anos já era timoneiro no moliceiro do falecido manel valas, onde com 15 anos apenas – ajuda-me se estiver errado, zé pedro – já foi arrais.
em 2014 ou 2015 com o rui (russo) e o ti manel valas, penso que ficaram em 3º lugar na regata da ria, chegando mesmo a ir na frente em alguns momentos da regata.
digo isto sem consultar documentação, de memória. o importante não é o ano, não é o lugar à chegada, o importante é o amor à partida.
o zé pedro, hoje com 19 anos, é um homem da ria, um homem que se houver condições, juntamente com outros jovens, poderá continuar a tradição legada pelos avós.
haja querer que os moliceiros tradicionais e as regatas têm quem as continue.
quando alguns se queixam que não fazem porque a juventude não se interessa, na ria é ao contrário, há jovens que querem continuar, só precisa que lhes dêem condições.
dá deus nozes …..
(torreira; regata da ria; 2013)
abílio fonseca (carteirista)

o ti abílio já passou os 80 e ainda cá anda a velejar e a ser o exemplo acabado daquilo a que alguns chamam a “brejeirice da beira-ria” – e que tanto tem sido representada nos painéis dos moliceiros.
passem umas horas com o ti abílio e verão como todos os painéis brejeiros podem ser de carne e osso.
nascido e criado na gafanha baixa, na murtosa, cresceu no moliço, foi para a marinha, emigrou, regressou e continua.
é dono do moliceiro “Dos Netos”, o único que não foi construído na zona norte da ria, mas pelo mestre gadelhas, de seixo de mira.
a boa disposição toma-a ao pequeno almoço e adormece com ela.
tratamo-nos por tu e eu tenho por ele amizade e respeito.
guardo, emolduradas, as medalhas que me ofereceu nas regatas da ria e do s. paio, em 2016.
amanhã, dia 5 de agosto, se tudo correr como planeado, lá estaremos na provocação brejeira, tão nossa, tão da beira-ria.
(torreira; regata da ria; 2013)
(o livro está aí, estão todos convidados)


sei-me
sou eu ainda
depois de
sei-me
mesmo se
não me nego
estou comigo
(torreira; regata da ria; 2013)

espírito de equipa: a companha
a palavra
queria-te inteiro
dentro da palavra
da tua palavra
queria-te
só isso
e falhaste
(torreira; s. paio; 2012)

a ti luísa da calada faleceu hoje, dia 13 de julho
amanhã pelas 20 horas é o rezar na casa mortuária da torreira
era uma boa amiga e uma grande contadora de histórias da torreira.
com ela a torreira perde muitas das suas memórias e uma mulher que sempre conheci “virada para o mar”.
a todos os familiares o meu abraço amigo.
vão chamar “barqueiros” …….

a regata da ria 2018, dá para escrever uma história.
quanto à divulgação – primeiro momento – foi a pior de sempre e provavelmente a mais cara. só no dia 22 começou a ser divulgada e na véspera não havia um cartaz sequer na torreira. mas temos uma parceria com uma empresa de liverpool experiente em eventos deste género. paguemos!
os moliceiros uniram-se, falaram e conseguiram aumentar os valores dos prémios, deixando o intermediário próximo do que merece. ainda é muito!
à regata faltou vento e ir contra a maré e sem vento ….. houve quem se cansasse e vai de “botar” motor. quando já eram uns quantos, a organização achou por bem dar por terminada a regata e foram todos a motor até aveiro. mas foi preciso que os moliceiros mostrassem, usando o motor, que assim não chegavam a aveiro, para que a organização se decidisse. custou, mas deu por ela!
hoje em aveiro, por decisão do júri, foi considerado que não haveria classificação de regata e o valor do prémio global seria distribuído pelos que ainda não se tinham posto a motor até ao momento de a regata ser dada por terminada.
para terminar, e porque quase tudo o que começa mal, mal acaba, aos moliceiros – homens- chamou a organização “barqueiros”!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
foi então que se perdeu um trovão e a possibilidade de uma faísca iluminar certas cabeças.
vão chamar “barqueiros ” ………

(ria de aveiro; 30 junho 2018)