“quando o mar trabalha” na murtosa


em 2018, o murtoseiro diamantino moreira de matos promoveu e organizou três sessões subordinadas ao tema “varinas”.

deu-lhes a designação genérica de “varinas dos pregões” sendo que cada sessão teve desenvolvimentos subordinados a temas diferentes, caracterizados no subtítulo da sessão.

assim, no dia 1 de agosto, a sessão designou-se “vivinha a saltar”, no dia 29 de agosto “a canastra dos artistas” – 1º lanço e, a terminar, no dia 26 de outubro “a canastra dos artistas” – 2º lanço.

foi neste 3º momento que fui convidado pelo promotor, organizador e autor do evento, diamantino moreira de matos, para participar dizendo poesia do meu livro “quando o mar trabalha” e fazê-lo com a companhia de outros amigos que diriam poemas do livro.

do momento poético deste evento, realizado no auditório municipal da murtosa e o primeiro das comemorações dos 92 anos do município da murtosa, fica o registo possível.

obrigado diamantino pelo saber, a arte e a amizade. como diziam os antigos: bem hajas

(nota: a foto de abertura do vídeo é da autoria de outro grande amigo, camilo rego. um muito obrigado e um grande abraço, amigo)

nesta sessão foi também visionado o registo por mim feito em 2016 com a emília russa e olívia borras, que de novo publico

 

dos camelos


dos camelos

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o mendigo basilius, criação do actor joaquim vieira basílio – arzila, 2015

no palco do mundo
artistas muitos há
poucos porém da arte
senhores são

pensam que não vejo
não sinto não sei
mas
também eu sou actor
fraco mas sou

tinha a palavra camelo
atravessada na garganta
como se espinha

saiu-me com a ajuda
do basilius
um verdadeiro actor
que já partiu

descansa em paz basilius
os camelos também

(arzila; 2015; feira medieval)

 

os moliceiros têm vela (330)


hoje

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda

o vento levou as memórias
onde habito

fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

(torreira; regata da ria; 2011)

 

postais da ria (272)


meditação com a ria em fundo

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o ti zé rebeço, homem da ria

quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe

vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme

crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes

o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos

se visíveis forem

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ti zé rebeço, a ria como casa

(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013

postais da ria (271)


olhares cegos

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será negra a noite
mas nela encontrarás luz
suficiente

entre noite e noite
muitas cores povoarão
o dia e o teu registo

mas
a cor do dinheiro
ficou esquecida
nos teus postais

olha como quem vê
não como quem ignora

(torreira; safar redes; 2016)

lembrando joaquim namorado