pescador

não saber onde
ignorar o quê
crescer para
ser maior que
vencer o mar
ganhar terra

(torreira; 2010)
pescador

não saber onde
ignorar o quê
crescer para
ser maior que
vencer o mar
ganhar terra

(torreira; 2010)
Falar e Dizer Pessoa» na Biblioteca Municipal

A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, em colaboração com a sua Comunidade de Leitores, evocou o 130º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa (1888 -1935) e organizou um encontro de poesia «POEMA(R)-TE: falar e dizer PESSOA», dia 9 de Novembro, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal
A apresentação ficou a cargo de Isabel Maia
A iniciativa, gratuita, contou com a participação de elementos da Cooperativa BONIFRATES, que fizeram leitura de textos de Fernando Pessoa e seus heterónimos, bem como de todos quantos partilham o gosto pela obra daquele que, apesar de apenas ter publicado um livro em vida, «Mensagem», é considerado um dos escritores portugueses mais importantes do século XX. (retirado do programa) do acontecido aqui fica o registo possível
(retirado do programa)
do acontecido aqui fica o registo possível
vivo de

achegar
se me vires a sorrir
quando caminho
é porque há um outro
dentro de mim
jovem ainda cheio de
tudo por fazer
vou com ele por aí
vivo de sonhar-me
(morraceira; achegar; 2016)
sorrio de mim

safar as redes da solheira
sou a memória
de ter sido
habito-me emalhado
na rede dos dias
reinvento-me
em tudo o que faço
sorrio de mim
(torreira; porto de abrigo; 2013)
chove

entrançar palha – bracinhar – para fazer esteiras
na caixa do correio
as chaves
ao abrigo da chuva
difícil seria lê-las
se molhadas
(murtosa; festa do emigrante; 2014)
santa ignorância

o sacudir do saco
espanta-me a ignorância
dos que sábios se dizem
predicando asneiras
como se verdades porque
por si proclamadas
assusta-me a velocidade
com que o erro se propaga
pela mão desta gente
o que foi já não é
santa a ignorância
que constrói os dias
(torreira; 2011)
navegar

navegar
de corpo em corpo
ave na vertigem
de voar sem asas
amanhã será
se for
agora é

(murtosa; regata do bico; 2012)
viagem

a mulher, a muleta, o arinque, o barco adivinha-se, o mar sente-se
olho e sinto
como se hoje
a caminhada começa
pelo fim
que pernas estas
os olhos
por que caminhos
me levam
o sentir
as palavras
vou e fico
viajo em mim
(torreira; 2009)
fecho os olhos

fecho os olhos
para te ver
reinvento o corpo
desde a raiz o percorro
algures os lábios
eu sei
tão longe
(torreira; 2015)

apresentação realizada no auditório municipal da figueira da foz, integrada nos “7Sentidos”- Festa do Teatro e da Fotografia” organizada pelo Pateo das Galinhas – Grupo Experimental de Teatro.
a apresentação do livro foi feita por antero urbano e as falas interpretadas por actores do pateo: helena adão, ligia bugalho, filipa almeida, vitor silva e rui féteira.
o apoio da divisão da cultura da câmara municipal da figueira da foz, nomeadamente a disponibilidade de anabela zuzarte e da equipa técnica do auditório foi fundamental e inesquecível.
a todos os que estiveram presentes, ou por motivos inesperados não puderam estar, um grande abraço
(do evento fica o registo feito pelo amigo santos silva e editado por mim)