da mão

flor de sal
a que dá
a que tira
a que ignora
a que acaricia
a que fere
a que mata
qual a tua?
(armazéns de lavos; 2017)
da mão

flor de sal
a que dá
a que tira
a que ignora
a que acaricia
a que fere
a que mata
qual a tua?
(armazéns de lavos; 2017)
todo o tempo

o carregar do saco
olhar os rostos
lembrar os nomes
dizê-los
os amigos vêm
pela mão
das palavras
pelo olhar
que os resgata
todo o tempo
é agora
(torreira; 2012)
da ilusão

um mais um
quantos são?
o total depende
sempre de ti

(torreira; s. paio; 2011)
do sonho

tudo se desgasta
só tu permaneces

(torreira; s. paio; chinchorros; 2013)

o ti américo, numa ida ao mar em 2011, o primeiro ano em que trabalhou na torreira
a 23 de outubro de 2009, participei no museu de ílhavo, num colóquio que tinha por título “Falas do mar/Falas da ria”, aí se questionou o porquê de serem conhecidas tantas falas dos trabalhadores da terra e não serem muito conhecidas falas de pescadores..
no dia 18 de novembro, num espectáculo intitulado “Quando o homem lavrava o mar”, realizado na sala dos “caras direitas”, na figueira da foz, passou um registo fílmico sobre o alar manual das redes das traineiras, e era perfeitamente audível a fala/canto com que os pescadores marcavam o ritmo da alagem.
em 2016, pedi ao ti américo, pescador de esmoriz mas a trabalhar na torreira, na altura com 78 anos como refere no video, que cantasse como o fazia no tempo em que, “puto” ainda”, ia ao mar.
não fica letra completa, mas fica o que a memória preservou
disseram-me alguns pescadores que era hábito, quando iam ao mar, entoar o padre nosso cantado de acordo com o ritmo dos remos, não consegui porém, na torreira, recolher qualquer registo.
este é o único que consegui até hoje. e vale muito.
obrigado ti américo
(torreira, 18 de agosto de 2016)
da amizade

há quantos anos
foi ontem?
(torreira; safar; 2018)m safa
mais um

o arribar da manga do reçoeiro
o que fui
leva pela mão
quem sou
olhos meus
sempre
até quando
o mar as gentes
os rostos
os gestos as artes
mais um
(leirosa; 2017)
não ardem

vão em bando
em direcção ao sol
sonham-se
mais que barcos
aves homens terra
esta
vão em bando
em direcção ao sol
reinventam-se
não ardem

(murtosa; regata do bico; 2009)
pescador

não saber onde
ignorar o quê
crescer para
ser maior que
vencer o mar
ganhar terra

(torreira; 2010)
Falar e Dizer Pessoa» na Biblioteca Municipal

A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, em colaboração com a sua Comunidade de Leitores, evocou o 130º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa (1888 -1935) e organizou um encontro de poesia «POEMA(R)-TE: falar e dizer PESSOA», dia 9 de Novembro, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal
A apresentação ficou a cargo de Isabel Maia
A iniciativa, gratuita, contou com a participação de elementos da Cooperativa BONIFRATES, que fizeram leitura de textos de Fernando Pessoa e seus heterónimos, bem como de todos quantos partilham o gosto pela obra daquele que, apesar de apenas ter publicado um livro em vida, «Mensagem», é considerado um dos escritores portugueses mais importantes do século XX. (retirado do programa) do acontecido aqui fica o registo possível
(retirado do programa)
do acontecido aqui fica o registo possível