crónicas da xávega (346)


a hora do quinhão

SONY DSC

praia de mira; 2009

 
não têm rosto
nunca o tiveram
mesmo que o produto da sua faina
seja o mais apreciado
 
são pescadores artesanais
das artes da arte-xávega
da xávega
 
pescadores
quase todos o foram
para voltarem a ser
 
longe do mar fizeram vida
a vida que o mar lhes negou
 
regressam por vício
ou porque
como o povo diz
o bom filho a casa torna
 
é a hora do quinhão
que foi boa a pescaria
 

de “O FARDO DO HOMEM BRANCO” de madalena de castro campos


ahcravo_DSC_5594_quase_quatrop_mcc

os poemas constantes deste vídeo fazem parte do livro “O FARDO DO HOMEM BRANCO”

 

(nota: este vídeo está classificado para “maiores de 18 anos”, pelo que só é visionável por quem tem canal no youtube [tem de iniciar sessão para o ver])

postais da ria (355)


os amigos de

0 ahcravo_DSC7967

torreira; jim; safar redes; 2019

 
sentava-me à mesa do café
lia poesia
 
os meus poetas à minha mesa
falavam-me
 
eu era jovem e o tempo imenso
 
sentava-me à mesa do café
sem urgências
 
as de agora com tanta fome
dos amigos de então
 

josé gomes ferreira no dia mundial da língua portuguesa


ahcravo_DSC_5594_quase_poemaX_jgf
no dia mundial da língua portuguesa
um poeta fundamental e tão esquecido
josé gomes ferreira
 
o “poema X” é parte do conjunto “Panfleto contra a paisagem” de 1936-1937, inserto no livro “Poesia I”

os moliceiros têm vela (405)

os moliceiros têm vela (405)


meditação sobre a palavra

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

cais do bico; cipriano brandão; 2006

 
o homem inventa
a ferramenta
que reinventa o homem
e a palavra
 
a palavra para denominar
a ferramenta
 
a ferramenta exigirá novas
ferramentas novas palavras
 
o poeta inventa a palavra
pelo prazer da música das letras
pela sonoridade pelo ritmo
pelo prazer de
 
as palavras do poeta
não nomeiam nada excepto
a si mesmas e são
as mais puras criações
do homem

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

cais do bico; cipriano brandão; 2006