
começa cedo o amor
pelos moliceiros
mais cedo que outros
amanhã dia 30 de junho
pelas 14h30m
a grande regata da ria
parte da torreira
e vai até aveiro
o amor pelos moliceiros
não se explica
como todos os amores

(torreira; 29 de junho; 2018)

começa cedo o amor
pelos moliceiros
mais cedo que outros
amanhã dia 30 de junho
pelas 14h30m
a grande regata da ria
parte da torreira
e vai até aveiro
o amor pelos moliceiros
não se explica
como todos os amores

(torreira; 29 de junho; 2018)

em 2013 foi assim
vem ver como vai ser em 2018
é no próximo sábado dia 30

o moliceiro “Dos Netos” com a tarja “NÃO MATEM OS MOLICEIROS” da regata de protesto de 2012
(regata da ria; 2013)

em 2009 foi assim
vem ver como vai ser em 2018
é no próximo sábado dia 30

o “Lameirense” ainda velejava
(ria de aveiro; regata da ria; 2009)
torreira
torreira é nome
de mulher
feito terra
escuto a sua voz
a camaradagem
o ser completa
torreira é o mar
os barcos
as companhas
é o rio as gentes
os saberes
o pouco de tanto
o mais por belo
que seja
vazio de corpos
é paisagem

(torreira; safar redes; 2018)
apenas um vidro
nos separa
e são dois mundos

(torreira; 20_06_2018)
bem vindo à sua terra
bem vindo à sua terra
dizem-me quando
não sei desfazer este nó
prendem barcos
unem cordas
ligam gente
são raízes
os nós
mas como são frágeis
os nós humanos
como somos
sem nós
há nós impossíveis
de desfazer
pois há

(torreira; 2010)
vêm devagar
vêm devagar os amigos
chegam pela mão da memória
por vezes tarde demais
partem depressa os amigos
olho-os como se ainda
mas é tarde muito tarde
sei que partiram alguns
cada dia mais
enquanto eu vou resistindo
enquanto passear pelos dias
levo-os pela mão
e deixo-os convosco à conversa
nada mais posso fazer

o falecido manuel vieira (valas)
(murtosa; regata do bico; 2007)
é tarde
enevoado tempo
o das memórias
acordo e recordo
não consigo
esquecer
o que me lembra
ao adormecer
sofro de memórias
de violentados dias
fracas palavras
pobres gestos
vem vazia a rede
vem vazia
vem
é tarde

alar com salvador rilho (chalana)
(torreira; alar da solheira; 2010)
cacilda
quantos instantes tem o ano
cacilda
quantos anos um momento
perdi a noção do tempo
cacilda
voou como as gaivotas
em torno de ti e são muitas
o tempo tem muitos tempos
cacilda
é enorme o tempo dos amigos
o teu tempo
há quanto tempo te conheço
não sei
no esvoaçar dos dias salgados
perdi a noção do tempo
é infinito todo o instante
se ao pé do mar dos amigos
cacilda
neste instante cabem muitos anos

cacilda brandão (gamelas), mulher de mar e da maior família da torreira, os gamelas
(torreira; 2011)
mergulho no tempo

tudo o que sou
fui para ser
gostar do que sou hoje
é aceitar o que fui
no tempo que me coube
há bois na praia
gestos e fazeres recriados
memória viva
olhar o ontem
é ver mais além
é ser de novo
mergulho no tempo
refresco-me de mim

(torreira; recriação da xávega;2013