eu sou

o meu tempo
é hoje
é ontem
o meu tempo
será amanhã
sem mim
eu sou no meu tempo

(torreira; porto de abrigo)
eu sou

o meu tempo
é hoje
é ontem
o meu tempo
será amanhã
sem mim
eu sou no meu tempo

(torreira; porto de abrigo)
património nacional

passaram os anos
passaram os homens
manteve-se a rede
chamem-lhe xávega
arte-xávega também
mas que seja
património nacional
(torreira; 2016)
dos sal e dos amigos

achegar
os amigos
digo
são o tempero dos dias
há-os porém
que de tão salgados
só fazem mal
(armazéns de lavos; 2017)
meninas os dedos

desfizeram os laços
cortaram os nós
por entre os dedos
a corda
dentro da mão
cansada amargurada
vozes de crianças
desfizeram os laços
cortaram os nós
permanece a corda
meninas os dedos
(praia da leirosa; 2017)
moliceiro

olhar-te
é ver-me

(torreira; s. paio; 2014)
o meu tempo

o meu tempo
é todos os tempos
fazemo-nos
ontem que relembro
para me alimentar
hoje onde sou para ter sido
e ajo para que
amanhã seja eu ontem ainda
futuro a que acrescentei
o meu tempo
o tempo que fiz
o tempo que me fez
o tempo que não deixei
que se fizesse sem mim

(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio; 2013)
da vida

o que não presta
nunca prestou
se hoje te desilude
foi porque te enganou

(corrida chinchorros; s. paio; 2016)
procura

procura nas minhas palavras
não a verdade absoluta
mas a verdade sentida e clara
sem mistificações nem falsidades
sou o que digo
embora possam de mim dizer
o que por bem entenderem
se o leitor fosse o escritor
o que escreveria?
(torreira)
novidade

paulo formiga a “rer o talho”
nada do que me acontece
é novo
novidade
é ser comigo
(armazéns de lavos; rer; 2017)
(in)vivências

do que teve azar ao jogo
têm pena
e foi porque quis
do que teve azar na vida
desdenham
e foi porque o traíram
(torreira; corrida de chinchorros; 2016)