regresso ao início

safar redes
de todos os passos
não renego um
sou todo neles
o que sou é o ter sido
não gostaria de ser outro
seria de novo
para ser hoje

(torreira; porto de abrigo)
regresso ao início

safar redes
de todos os passos
não renego um
sou todo neles
o que sou é o ter sido
não gostaria de ser outro
seria de novo
para ser hoje

(torreira; porto de abrigo)
a arte da fuga

no pais das maravilhas
leio muito vivo tudo
depois queixo-me
mas a culpa é minha
ainda não aprendi
a arte da fuga
(arribar; torreira; 2016)
as mãos que

entre a mão
que te dei
e a mão
que me deste
um abismo
se lá caíres
que mão
te darão?
(leirosa; companha dos reais; 2017)
as minhas raízes

o licínio a mexer
as minhas raízes
são os meus princípios
em qualquer geografia
o valor da palavra
raiz aprumada que me alimenta
a noção de justiça
a minha voz o meu gesto
a solidariedade
o meu estar aqui
as minhas raízes
herdei-as e fi-las
por vezes doem-me
(armazéns de lavos; mexer; 2017)
a vida mata o sonho

“você só está aqui de férias”

o que era
continuará a ser
não é o cigano
que muda a terra
nem a terra
mudará o cigano
a vida mata o sonho

(torreira; regata s. paio; 2015)
com palavras

lavo as feridas
com palavras
escrevo-me
conto-nos
o fim é outro
início
com palavras
lavo as feridas
(torreira; 2016)
por mais duro

o sorriso nos meus lábios
por vezes amargo
ouve-o atento
não é fácil iniciar caminhos
mais duro sentir que terminaram
quando vires não cales
quando ouvires mostra
por mais duro
(torreira; 2014)
da areia

o arribar do saco
todos os caminhos são
de areia
quando o esquecemos
areia fomos
(torreira; 2009;
é verão

buíça, marnoto, 81 anos de idade
salgados são os dias
cansado o corpo
vergado ao peso do sol
à pureza do sal
é verão
pelas praias a banhos
muitos são
salgados vão os dias
salgado é o pão
o sol que te queima
o mar em que te banhas
à tua mesa sal serão
salgados são os dias
salgado é o pão
é verão
às praias a banhos
nem todos vão
(armazéns de lavos; salina do buíça; mexer)
resiste

companheiro
é hora de naco de broa
e cajado
reparte com os amigos
o pão
o cajado também é arma
resiste

(murtosa; regata do bico; 2017)