os moliceiros têm vela (274)


correr por gosto também cansa e eu estou velho

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(extracto de uma troca de comentários a uma foto minha de moliceiros, no facebook, no grupo “moliceiros com história” , criado por mim )

“- Que ELEGÂNCIA!!! Que IMPONÊNCIA!!! Não hajam dúvidas: somos um povo privilegiado, com estas BELEZAS…

– não basta tê-los, é preciso mantê-los. é esse o desafio que se nos coloca todos os anos. por isso este grupo: para alertar mostrando a sua beleza

– ISSO é outra “loiça”, António… compreendo…”

e assim termina a conversa com um murtoseiro.

moliceiros sim, gosto muito, mas …. passo a outro a luta.

por mim tá passada.

agora vou curtir os moliceiros, dizer que os amo muito, mas não quero ter problemas.

murtosa é isto

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(regata do bico; murtosa; 2017)

“O ESTADO ACTUAL DAS PESCAS”- BALDAQUE DA SILVA


porque é um livro de referência para quem se interessa pela história das pescas em portugal.

porque mão amiga me facultou o link de acesso à sua versão em pdf.

porque mais importante que ter é oferecer.

por tudo isto aqui fica disponível.

estado actual das pescas

porque o ” ÓSCAR MIGUEL”  foi o primeiro barco de mar por que me apaixonei.

porque o seu dono continua a ser o meu arrais – joão da calada.

ficam bem juntos.

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a beleza do sal (17)


as minhas raízes

0 ahcravo_DSC_3802 licínio

o licínio a mexer

as minhas raízes
são os meus princípios
em qualquer geografia

o valor da palavra
raiz aprumada que me alimenta

a noção de justiça
a minha voz o meu gesto

a solidariedade
o meu estar aqui

as minhas raízes
herdei-as e fi-las
por vezes doem-me

(armazéns de lavos; mexer; 2017)

memória do mar da torreira


2016 foi o último ano que fotografei o mar da torreira, é da ordem natural das coisas haver um princípio e um fim em tudo.

do primeiro ano não me lembro, mas o último sei que foi 2016.

o vídeo que hoje publico representa o momento mais alto de muitos anos passados na praia da torreira. em 2006 publiquei-o, gravei-o em dvd, projectei-o no clube marítimo da torreira, no salão, que se encheu para o ver e ouvir os poemas que consegui dizer. não esqueço a presença do ti manel murta que, de muletas, demorou cerca de uma hora desde sua casa até ao salão, para ver o filme.

devo muito a muitos e continuo a considerar-me mais um, entre aqueles a quem trato pelo nome e me merecem o maior respeito.

10 anos depois dessa exibição e mais de 30 depois de ter tirado algumas das fotos que nele podem ser vistas, é este o momento de o divulgar mais amplamente. é o momento de abraçar quem durante tantos anos me abraçou.

não esqueço, não esquecerei nunca que os meus antepassados foram homens de mar, pescadores da xávega da torreira e da ria de aveiro.

os amigos que em 2006 compraram o filme que não me levem mal, mas o que sei hoje na altura não sabia. de qualquer modo o vídeo que possuem em dvd é mais completo que este.

é gente da torreira que, viva ou não, aqui fica. são pedaços de vida, da minha também, que ficarão durante algum tempo, nada é eterno e o tempo é sempre escasso, ao dispôr dos que um dia quiserem saber como era e dos que se quiserem lembrar dos seus tempos de juventude.

em especial ao meu arrais, joão da calada, e a todos um abraço amigo do cravo.

(figueira da foz; 22 de agosto de 2017)

postais da ria (217)


manda quem pode

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tradicionalmente as regatas do s. paio da torreira realizam-se no fim de semana: no sábado a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros ( a mais emocionante de todas), no domingo a regata de moliceiros.

estranhamente, este ano, a corrida de chinchorros vai ser na quinta-feira dia 7. assim quem só tiver o fim de semana livre, ou vier de fora para assistir às regatas, não vai poder assistir às corridas de chinchorro.

é uma pena, porque é na corrida de chinchorros que se vivem os momentos mais emocionantes das regatas.

será que quem organiza as regatas e é por ela responsável – executivo municipal ou comissão de festas – alguma vez assistiu com olhos de ver às corridas de chinchorros?

alguma vez o horário das marés impediu que a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros se realizasse no mesmo dia?

alguma vez viram/sentiram a festa que é para os pescadores o participar na corrida de chinchorros e como essa festa deve ser partilhada pelo maior número de pessoas possível?

caros senhores que nestas coisas mandais, parai para pensar e se motivos de muita força vos fizeram mudar a corrida para quinta-feira, pensai na força que perde a força maior das regatas : os pescadores da torreira.

gostava de não escrever o que aqui digo, mas custava-me mais nada dizer.

lá estarei, porque reformado, porque ainda posso. mas lamento os amigos que trabalham, os que vêm de longe e pensavam ver as regatas todas e, alguns já o manifestaram, vão perder a mais emocionante.

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fica o vídeo que fiz o ano passado para que sintam, os que decidem, e vejam os que, com esta decisão, não vão poder ver.

 

 

(corrida de chinchorros; s. paio, 2016)