da beleza

há recachia na ria
ama o belo
não por ser teu
mas por ser
o moliceiro é

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2016)
da beleza

há recachia na ria
ama o belo
não por ser teu
mas por ser
o moliceiro é

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2016)
auto-retrato (3)

em cima do barco o ti augusto arruma as mangas
do entretecer dos fios
se faz a corda
aparelha-se o barco
na vida só sei do reçoeiro
a mão de barca
crêem alguns que um dia
aparelha-se o homem
do entretecer dos dias
se faz o tempo
(torreira; 2014)
…………………
notas
reçoeiro – a corda que fica em terra
mão de barca – a corda que o barco trará e fechará o lanço
recuso-me

o falecido carlos aldeia e o balde com o caranguejo para as enguias
na areia inventar
a pedra
nas nuvens erguer
muralhas
nos pulsos fechar
grilhetas
quebrei todas grades
de todas as janelas
recuso-me a esperar
a morte
continuo a correr atrás
do vento
(torreira; porto de abrigo; 2013)
auto-retrato (2)

o licínio a rer, foi um verão de sal
aceito o instante
como se todo o tempo
como certo nada tenho
senão a dúvida em mim
(armazéns de lavos; rer; 2017)
da companha

quinhões ou tecas
o sal do rosto
tempera o quinhão
(praia de mira; 2009)
urgente

o mestre zé rito ao leme do moliceiro “Zé Rito”
poesia precisa-se
poetas abundam

o mestre zé rito ao leme do moliceiro “Zé Rito”
(torreira; regata do s. paio; 2018)
da vida

o jacinto arruma as redes da solheira
na nascente saberá
o rio do mar?
(torreira; 2018)
da mão

flor de sal
a que dá
a que tira
a que ignora
a que acaricia
a que fere
a que mata
qual a tua?
(armazéns de lavos; 2017)
todo o tempo

o carregar do saco
olhar os rostos
lembrar os nomes
dizê-los
os amigos vêm
pela mão
das palavras
pelo olhar
que os resgata
todo o tempo
é agora
(torreira; 2012)
da ilusão

um mais um
quantos são?
o total depende
sempre de ti

(torreira; s. paio; 2011)