a beleza do sal (50)


sagradas as palavras

digo das palavras
o sal do sentir

de emoção umas
da razão outras

falam de ti
as tuas palavras

recolho-as no meu dia
onde entraste
porque te convidei

recebo-te nesta casa
onde existir é ser

um copo de água
que o sol queima

acolho-me à sombra
do dizer

sagradas as palavras
onde és

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achegar

(armazéns de lavos; achegar; 2017)

crónicas da xávega (254)


da casa e do mar

moro ao pé do mar
e não o vejo
das minhas janelas

ouço-o nas noites
de temporal
entra na casa como
se sua e eu

as vistas da casa
são outras casas
com outros eus

chamam a isto
cidade
porque muitos

saio de casa
em direcção ao mar
e é sozinho
que me reencontro

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(praia de mira; 2009)

os moliceiros têm vela (310)


deixa

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deixa que as palavras
te procurem
trazidas pelo sentir
de tudo

será poema se for
que isso te não preocupe

deixa que os olhos poisem
sobre tudo em tudo penetrem
e tragam consigo o seres

nada é novo
senão o teu olhar
o teu sentir

o teu dizer
nada acrescenta
a coisa nenhuma

por isso
deixa que as palavras
sejam em ti

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(torreira; regata da ria; 2009)