
safar as redes da solheira
quando a mulher é camarada
(torreira; 2016)
álvaro gavina e paula

safar as redes da solheira
quando a mulher é camarada
(torreira; 2016)
álvaro gavina e paula
sal

achegar
sal do mar
sal da terra
sal da lágrima
sal do suor
sal
cloreto de sódio
todo

achegar
(achegar; 2016)
reparos de um retirante
“Breve História do Concelho da Murtosa”, autor “Marco Pereira”
(algumas notas breves, precedidas de um sublinhado)

em qualquer publicação é tão importante a citação como a omissão.
isto dito, e sem retirar valor, nem importância à obra citada, queria deixar 3 notas breves para os desenvolvimentos temáticos futuros:
moliceiros: ainda há moliceiros na ria. é importante fazer a história das regatas e sua importância na dinamização turística temática e preservação do património, único no mundo. os moliceiros tradicionais e os passeios na ria.
companhas: ainda existem companhas activas na torreira. importante referir as que estão em laboração, as que ao longo do século xx trabalharam e as alterações sofridas nos métodos de trabalho: dos bois aos tractores, dos remos aos motores, por exemplo. parece-me importante que seja referido o seu papel na atracção turística temática.
literatura: não consta o nome do dr. Raul Vaz, entre os escritores listados. penso que, enquanto murtoseiro e pela obra produzida, merece lugar de relevo entre os nomeados.

(foto de 2014)
14 de dezembro, de 1880

…………………………..
no diário do governo nº 285 de terça-feira, dia 14 de dezembro, de 1880, é publicada a lista dos pescadores que participaram no salvamento dos náufragos do nathalie e foram por isso contemplados com:
“Medalha de prata para distincção e prémio e prémio concedido ao mérito, philantropia e generosidade:
Francisco da Silva Vaz
José da Silva Vaz
Manuel Joaquim Gorim
José Manuel do Padre
José Maria Rodrigues Brandão
Joaquim Maria Rezende
José da Cunha Pereira
Francisco António Russo
António Joaquim Vidinha
Manuel João Bucinho
Gonçalo Serrano
Gonçalo António Netto
José do Padre
António Maria Tavares
Joaquim Raphael
José Gravato
Domingos Luís de Mattos
Matheus Carapilho
António Pereira
Manuel da Cruz
Manuel Mariquinhas
Pedro Carapilho
Joaquim Carinhas
Lourenço Caroço
António Padinha
Manuel Maria Rebello Sebollão
Gonçalo de Oliveira Vadé
Manuel Cascaes
Raphael Maria da Cunha
António Maria Sardo
Manuel Lenho
Manuel Maria Caravella
Manuel Tejeleiro
João António da Silva
Manuel Gorim Júnior
João José Tavares
João Carinhas
Manuel José Acabou
João Vida
Francisco Besugo
Joaquim Presada
Gonçalo Marim
Manuel José Soldado
Manuel Tameiro
José Maria Patarata
António Tigeleiro
Manuel Canito
António Baldaia
Manuel da Brasia
Joaquim Codea
João Sassu
Pedro Fernandes Tavares da Ruiva
Luiz de Pinho das Neves Padinho
Egydio Salgado
José Maria Sapata
Manoel Mariquitas”
(todos a trabalhar em companhas da torreira)
são eles que hoje, aqui, são lembrados, enquanto continuo a esperar que senos da fonseca, encontre provas documentais da participação do arrais ançã no salvamento. senos da fonseca e todos quantos o vêm divulgando.
para que a estória não passe a história, era bom que provas documentais surgissem, como a que publico. é que: “quem conta um conto acrescenta um ponto”
como se o tempo
esfarelado
por entre os dedos

(torreira)
o meu amigo ricardo

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre
14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.
o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.
o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim
(torreira; 2016)
no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.
um belíssimo trabalho de paola palmaro e do grupo “Nikanon Photo” do facebook.
obrigado pela partilha do meu olhar

henrique pai e henrique filho, brandões (gamelas)
o tempo tudo julga
e a seu tempo
dirá de sua justiça
o tempo julga
à velocidade
da justiça portuguesa
em sede de recurso
se acaso houvesse
seria de mortos a demanda

os henriques brandão, pai e filho
(torreira; cirandar)
não esquecerei

fazer a diferença
escrever é sentir
ler é sentir duas vezes e
esquecer
não escrevo
não leio
não sinto
não esquecerei

porque não há um só caminho
(regata do bico; 2012)