
o largar da solheira
o meu amigo salvador

o salvador

o largar da solheira
o meu amigo salvador

o salvador
desabafo

mãos de fazer, mãos de dar, mãos de ser
melhor não escrever nada
estou engasgado de sentir
as palavras come-as
o tanto
tenho para mim
que o que fiz
sempre que o fiz
foi por bem
mesmo se errei
ao fazê-lo
por isso
me dói
calo calco
não mereço
não mereço
não mereço
escrevi
notas de um retirante

a realidade é mais surreal
em 2012 não houve regata da ria. o relato dos porquês, dos como e dos quem, está feito no meu blog, na publicação:
e outras, anteriores e posteriores. é uma questão de pesquisar.
a terminar o ano, mais umas dicas para a história dos moliceiros:
quando em 2012 a regata não se realizou, a entidade promotora era o “turismo de aveiro” e a organizadora a habitual “associação dos amigos da ria e do barco moliceiro”.
quando o turismo de aveiro soube pela imprensa qual o valor que estava em causa, terá dito que afinal até teria sido possível angariar esse montante. então quanto é que a organização tinha pedido?
em 2016 soube que, do montante atribuído à regata, só cerca de 50% chega aos moliceiros…. mais não digo
entre 2013 e 2015 a entidade organizadora foi a “associação náutica da torreira” que, por questões financeiras, acabou por não pagar a totalidade dos prémios devidos aos moliceiros
em 2016, tendo em conta o que aconteceu com os pagamentos de 2015, a organização passou para o rancho folclórico “camponeses da beira ria”.
os responsáveis pela organização foram mudando mas os prémios para os moliceiros mantiveram-se.
seria interessante estudar a repartição, em valor absoluto e percentagem, ao longo dos anos, das verbas atribuídas à “regata da ria”.
eu? eu não sei nada.

há muito para desvendar, ainda
(ria de aveiro; 2012)
notas de um retirante

ti augusto
a partir de 2011 a companha do marco passou a ser composta maioritariamente por pescadores não residentes na torreira, nem no concelho.
o ti augusto, na fotografia, foi um deles.
para quem queira um dia fazer um estudo sobre a evolução das companhas da torreira, aqui fica mais esta dica.

safar as redes da solheira
quando a mulher é camarada
(torreira; 2016)
álvaro gavina e paula
sal

achegar
sal do mar
sal da terra
sal da lágrima
sal do suor
sal
cloreto de sódio
todo

achegar
(achegar; 2016)
reparos de um retirante
“Breve História do Concelho da Murtosa”, autor “Marco Pereira”
(algumas notas breves, precedidas de um sublinhado)

em qualquer publicação é tão importante a citação como a omissão.
isto dito, e sem retirar valor, nem importância à obra citada, queria deixar 3 notas breves para os desenvolvimentos temáticos futuros:
moliceiros: ainda há moliceiros na ria. é importante fazer a história das regatas e sua importância na dinamização turística temática e preservação do património, único no mundo. os moliceiros tradicionais e os passeios na ria.
companhas: ainda existem companhas activas na torreira. importante referir as que estão em laboração, as que ao longo do século xx trabalharam e as alterações sofridas nos métodos de trabalho: dos bois aos tractores, dos remos aos motores, por exemplo. parece-me importante que seja referido o seu papel na atracção turística temática.
literatura: não consta o nome do dr. Raul Vaz, entre os escritores listados. penso que, enquanto murtoseiro e pela obra produzida, merece lugar de relevo entre os nomeados.

(foto de 2014)
como se o tempo
esfarelado
por entre os dedos

(torreira)
o meu amigo ricardo

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre
14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.
o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.
o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim
(torreira; 2016)
no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.
um belíssimo trabalho de paola palmaro e do grupo “Nikanon Photo” do facebook.
obrigado pela partilha do meu olhar