escrever
escrever o que sinto
até
sentir o que escrevo
é neste labor
que os dias
se fazem maiores

(torreira; safar redes; 2013)
escrever
escrever o que sinto
até
sentir o que escrevo
é neste labor
que os dias
se fazem maiores

(torreira; safar redes; 2013)
cigarra que canta a formiga

o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida
escrevo o que sinto
sou as minhas palavras
cigarra que canta a formiga
faz do inverno verão

(murtosa; cais do bico; 2016)

o quiosque e os socalcos
as obras continuam no cruzamento da joaquim sotto mayor com a rancho das cantarinhas continuam. continuam…..
eu cidadão confesso que não sei como ficará tudo, nem quando vão acabar. não há qualquer informação municipal sobre o quê, o como e até quando – uma placa de obra elucidativa, como mandam as regras.
mas não é isso que me preocupa agora. o que me preocupa são os “socalcos” em frente ao quiosque: uma armadilha para qualquer pessoa, mesmo se atenta. perguntei se ia haver uma estrutura de protecção e a resposta foi não. o que é facto é que já ia uma pessoa caindo e não será novidade que venham a cair e a magoar-se seriamente.
para que fique claro o que digo, fotografei e medi. as medidas dos “socalcos” são as seguintes: altura total – 55 cm, largura média – 16 cm, altura dos socalcos – variável entre 15 e 20 cm.
(nota: um degrau, para o ser, deve ter a largura mínima de 25 cm ….. veja-se: (http://www.civil.uminho.pt/lftc/textos_files/construcoes/cp2/cap.%20i%20-%20escadas.pdf)
as fotografias mostram o que é e como está. não quero publicar fotografias de acidentados, por isso este alerta.
oxalá – e já um vizinho me disse que divulgou no face o que se está a passar, e foi à câmara questionar – tudo seja corrigido antes que o pior aconteça.
PORMENORES DOS “SOCALCOS”


a austeridade na terceira idade
é preciso salvar o país
ouviu
fez as contas à vida
e perguntou-se
quem me salva a mim
mas era tarde para fugir

(morraceira; enfeitar; 2016)
ser sem o outro
por dentro dos dias
sempre por dentro dos dias
abrir os braços aceitar
aprender com o tempo
saber cortar
o que de podre nele
numa outra mão os dedos
prendem o que de são
o esquecimento chega
como se uma manhã súbita
não és outro
és sem o outro

(torreira; remendar rede)
a arte da fuga
a arte da fuga
não é exclusiva
de banqueiros
que o digam
os homens e as mulheres
do mar
a diferença
é que os primeiros fogem
com o que é dos outros
os segundos para salvar
o que de pouco têm
a vida e a roupa do corpo

(torreira; arribar; 2016)
pode ser o fim de

depois dos homens
muito depois
ficarão os destroços
memórias limpas
de ter havido gente
que fez barcos e filhos
pescou e disso viveu
procurarão então
rostos e histórias
mas será tarde
como sempre
quando ser de hoje
não é ser os seus
não estarás cá
para ouvir os lamentos
nem isso vales

(algures na ria de aveiro; num tempo a haver)
o sonho é bandeira

será sempre o sonho
que construirá a realidade
é esta a bandeira do ano
por ela estamos aqui
sonhemos então

(torreira; regata s. paio; 2010)
sal do mar
no primeiro dia do ano
seja do mar o sal
tempero dos dias a vir
sol que nos espera
sal do mar sol à mesa

(morraceira; rer; 2017)
2018 na ti rosa

ti rosa de avanca
há quem encha
os olhos de mar
e por isso exista
há quem traga
o mar nos olhos
e isso lhe baste
é a ti rosa
sento-me num banco
encontro amigos
trocam-se cervejas
uma garrafa de água
não me esqueço de ti massa
voam conversas jornais
cartas e dominó
na ti rosa
há mar em terra
e uma figueira
na ti rosa em 2018
tá combinado

ti rosa de avanca
(torreira; à porta da ti rosa de avanca)