a beleza do sal (28)


o milagre do sal

vamos encaminhando
a água
até chegar aos talhos

em dias de sol
forma-se o sal que nós
com trabalho e suor
tiramos

como é que a água
se transforma em sal
isso é milagre

assim me explicaram
de forma clara e simples

não ganham que baste
para contratar consultores
que lhes expliquem

o milagre

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rer

(morraceira; 2016)

crónicas da xávega (220)


então farão postais

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vêm de longe as vozes
conheci algumas
respeitei muitas
conheci-os um pouco

homens mulheres
gente desta terra
de onde sempre
para o mar se partiu
e onde nem sempre
se regressou

ficou o mar
na areia varados
o barco e a arte
a companha renovada

até um dia
em que na praia vazia
deles só a areia
se lembrará

então farão postais

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(torreira; 2016)

mãos de mar (36)


a mão de um amigo

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a mão do ti alfredo fareja (falecido)

a mão de um amigo
será sempre
a mão de um amigo

mesmo se dela
a imagem
apenas

a imagem
opera na memória
a viagem no tempo
solares os dias ainda
os homens íntegros
inteiros

assim me acompanho
em dias de mais solidão

(torreira; 2006)

 

 

os moliceiros têm vela (287)


a  matemática da vida
(para o ti manel valas)

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o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar

somar tudo
estar vivo é isso

a matemática
é simples

ao final da soma
chamam total

e subtraem-te

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o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar

(regata da ria; 2013)

 

“No Húmus” de rui miguel fragas: a apresentação


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em 1917 raul brandão publica a obra “Húmus”

em 1967, no cinquentenário da publicação de raul brandão, herberto helder publica o poema “Húmus” usando apenas palavras retiradas da obra homónima de raul brandão

em 2017, é a vez de rui miguel fragas publicar o livro “No húmus”, uma obra composta por 20 poemas em que “Todos os títulos dos 20 poemas que compõem este livro foram retirados dos 20 capítulos do Húmus de Raul Brandão, por ordem correspondente, segundo o texto da 3.ª edição (conforme edição Opera Omnia, 2017), uns literais, outros apócrifos …..

a minha opinião? li-o e reli-o, como todos os anteriores e dele digo como de todos: venham mais que autor temos

do lançamento deste livro, que decorreu no dia 2 de dezembro de 2017, na biblioteca municipal da figueira da foz, fica o registo possível.

Biografia

Rui Miguel Fragas, pseudónimo de António Rui Féteira, nasceu em São Miguel de Poiares (Coimbra). Licenciou-se em filosofia na Universidade de Coimbra.Publicou alguns poemas e contos nas revistas Alma Azul, Aeroplano e InComunidade.

Tem três de poesia publicados: “O Nome das árvores” (Poética Edições, 2014), “Não sei se o vento” (Poética Edições, 2015) “O rumor das máquinas” (UA Editora,Universidade de Aveiro, IV Prémio Literário Aldónio Gomes, 2015). Participou na antologia de poesia “As Vozes de Isaque, Derivações Poéticas a partir da obra O Último Poeta” (Poética Edições, 2016).

Em 2017 venceu a VII edição do Concurso de Poesia na Biblioteca (Condeixa-a-Nova) e publicou uma antologia de contos: “A última rodada” (Poética Edições, 2017).

“No Húmus” é o quarto livro de poesia, o primeiro em edição de autor.

(Nota do autor: Todos os títulos dos 20 poemas que compõem este livro foram retirados dos 20 capítulos do Húmus de Raul Brandão, por ordem correspondente, segundo o texto da 3.ª edição (conforme edição Opera Omnia, 2017), uns literais, outros apócrifos. Do resto escutei os ecos do Húmus de Herberto Hélder, material e regra)