ser
rente ao mar
sempre rente ao mar
a minha gente
sou com eles

(praia da leirosa; 2017)
ser
rente ao mar
sempre rente ao mar
a minha gente
sou com eles

(praia da leirosa; 2017)
moliceiro

o tempo os homens as artes
memória
a árvore legada raiz
bandeira
um barco um nome
a terra
numa só palavra tanto
moliceiro
onde não há cultura não há
futuro
um sonho pode morrer assim

(torreira; s. paio; 2017)
o milagre do sal
vamos encaminhando
a água
até chegar aos talhos
em dias de sol
forma-se o sal que nós
com trabalho e suor
tiramos
como é que a água
se transforma em sal
isso é milagre
assim me explicaram
de forma clara e simples
não ganham que baste
para contratar consultores
que lhes expliquem
o milagre

rer
(morraceira; 2016)
então farão postais

vêm de longe as vozes
conheci algumas
respeitei muitas
conheci-os um pouco
homens mulheres
gente desta terra
de onde sempre
para o mar se partiu
e onde nem sempre
se regressou
ficou o mar
na areia varados
o barco e a arte
a companha renovada
até um dia
em que na praia vazia
deles só a areia
se lembrará
então farão postais

(torreira; 2016)
às mulheres da xávega
escrevo mulher
com éme de mar

a aurora e o aparelhar do saco
(torreira; 2016)
a mão de um amigo

a mão do ti alfredo fareja (falecido)
a mão de um amigo
será sempre
a mão de um amigo
mesmo se dela
a imagem
apenas
a imagem
opera na memória
a viagem no tempo
solares os dias ainda
os homens íntegros
inteiros
assim me acompanho
em dias de mais solidão
(torreira; 2006)

o zé pedro e o léo preparam a bateira para a regata
há uma criança
dentro de mim
é ela que te sorri

(torreira; s. paio; 2017)
meditação com sal

paulo formiga a “mexer”
os dias serão
sempre que tu
inteiro neles
(mexer; armazéns de lavos; 2017)
a matemática da vida
(para o ti manel valas)

o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar
somar tudo
estar vivo é isso
a matemática
é simples
ao final da soma
chamam total
e subtraem-te

o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar
(regata da ria; 2013)

em 1917 raul brandão publica a obra “Húmus”
em 1967, no cinquentenário da publicação de raul brandão, herberto helder publica o poema “Húmus” usando apenas palavras retiradas da obra homónima de raul brandão
em 2017, é a vez de rui miguel fragas publicar o livro “No húmus”, uma obra composta por 20 poemas em que “Todos os títulos dos 20 poemas que compõem este livro foram retirados dos 20 capítulos do Húmus de Raul Brandão, por ordem correspondente, segundo o texto da 3.ª edição (conforme edição Opera Omnia, 2017), uns literais, outros apócrifos …..”
a minha opinião? li-o e reli-o, como todos os anteriores e dele digo como de todos: venham mais que autor temos
do lançamento deste livro, que decorreu no dia 2 de dezembro de 2017, na biblioteca municipal da figueira da foz, fica o registo possível.
Biografia
Rui Miguel Fragas, pseudónimo de António Rui Féteira, nasceu em São Miguel de Poiares (Coimbra). Licenciou-se em filosofia na Universidade de Coimbra.Publicou alguns poemas e contos nas revistas Alma Azul, Aeroplano e InComunidade.
Tem três de poesia publicados: “O Nome das árvores” (Poética Edições, 2014), “Não sei se o vento” (Poética Edições, 2015) “O rumor das máquinas” (UA Editora,Universidade de Aveiro, IV Prémio Literário Aldónio Gomes, 2015). Participou na antologia de poesia “As Vozes de Isaque, Derivações Poéticas a partir da obra O Último Poeta” (Poética Edições, 2016).
Em 2017 venceu a VII edição do Concurso de Poesia na Biblioteca (Condeixa-a-Nova) e publicou uma antologia de contos: “A última rodada” (Poética Edições, 2017).
“No Húmus” é o quarto livro de poesia, o primeiro em edição de autor.
(Nota do autor: Todos os títulos dos 20 poemas que compõem este livro foram retirados dos 20 capítulos do Húmus de Raul Brandão, por ordem correspondente, segundo o texto da 3.ª edição (conforme edição Opera Omnia, 2017), uns literais, outros apócrifos. Do resto escutei os ecos do Húmus de Herberto Hélder, material e regra)