crónicas da xávega (272)


santa ignorância

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o sacudir do saco

espanta-me a ignorância
dos que sábios se dizem

predicando asneiras
como se verdades porque
por si proclamadas

assusta-me a velocidade
com que o erro se propaga
pela mão desta gente

o que foi já não é
santa a ignorância
que constrói os dias

(torreira; 2011)

 

“quando o mar trabalha” na murtosa


em 2018, o murtoseiro diamantino moreira de matos promoveu e organizou três sessões subordinadas ao tema “varinas”.

deu-lhes a designação genérica de “varinas dos pregões” sendo que cada sessão teve desenvolvimentos subordinados a temas diferentes, caracterizados no subtítulo da sessão.

assim, no dia 1 de agosto, a sessão designou-se “vivinha a saltar”, no dia 29 de agosto “a canastra dos artistas” – 1º lanço e, a terminar, no dia 26 de outubro “a canastra dos artistas” – 2º lanço.

foi neste 3º momento que fui convidado pelo promotor, organizador e autor do evento, diamantino moreira de matos, para participar dizendo poesia do meu livro “quando o mar trabalha” e fazê-lo com a companhia de outros amigos que diriam poemas do livro.

do momento poético deste evento, realizado no auditório municipal da murtosa e o primeiro das comemorações dos 92 anos do município da murtosa, fica o registo possível.

obrigado diamantino pelo saber, a arte e a amizade. como diziam os antigos: bem hajas

(nota: a foto de abertura do vídeo é da autoria de outro grande amigo, camilo rego. um muito obrigado e um grande abraço, amigo)

nesta sessão foi também visionado o registo por mim feito em 2016 com a emília russa e olívia borras, que de novo publico

 

os moliceiros têm vela (330)


hoje

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda

o vento levou as memórias
onde habito

fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

(torreira; regata da ria; 2011)

 

postais da ria (272)


meditação com a ria em fundo

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o ti zé rebeço, homem da ria

quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe

vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme

crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes

o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos

se visíveis forem

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ti zé rebeço, a ria como casa

(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013