os moliceiros têm vela (281)


carta aos resistentes

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não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos

admiro que ainda
perguntas-me como

só encontro uma palavra
amor

assim a terra
o entendesse

não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos

não é sonho
é viver ou morrer

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(regata do bico; 2017)

aqui portugal, voltámos


acabei de receber dos estados unidos, mais precisamente de um alfarrabista da pensilvânia, os dois primeiros volumes dos “Estudos Etnográficos de D. José de Castro” – “Pescadores” e “Moliceiros”.
 
o interessante no meio desta aventura é que tive de pagar taxas de alfândega e de desalfandegamento de um bem que é nosso e fiz retornar ao nosso país.
 
o valor não é relevante face ao da aquisição, mas o facto é.
 
a factura com o descritivo vinha no exterior, será que não bastava para não haver cobrança?
 
talvez num país que se preocupasse mais com o património até me premiassem por ter conseguido repor património que estava no estrangeiro, mas para isso era preciso outro país com outra cultura.
 
assim vamos por cá
 
eu? eu feliz que nem um passarinho na primavera
000 estudos etnog
 
(imagem da net, site do alfarrabista)

mãos de mar (32)


sorriem muito

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mãos de mar, mãos de luta

não tomam posição
sentam-se à mesa do mas
trocam ideias discutem
não concluem nunca

gostam muito do talvez
evitam nãos e sins

são espectadores
que querem palco
de bandeja sem suor

à janela dos dias
esperam um vaso de flores
no peitoril dos olhos

de tão subviventes
conseguem
ser sobreviventes

sorriem muito

(torreira; 2015)

a beleza do sal (22)


o trilho estreita-se

0 ahcravo_DSC_3483 buíça

diz-se “mexer” (buíça)

o trilho estreita-se
desce entre precipício
e rocha a pique

a espaços um recanto
acolhe o corpo cansado

inesperadas pedras
tombam de onde nunca
ferem mais por isso

mas
não foi sempre assim?

(armazéns de lavos; 2017; mexer)

os moliceiros têm vela (280)


sonharei sempre

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sonharei sempre
de olhos abertos
atento às palavras

recuso-me a ser
o que cala e aceita
sem questionar

também o sol
que aquece e ilumina
projecta sombra

que dizer da lua
e das suas duas faces

sonharei sempre
de olhos atentos
questionarei

deixo as certezas
para os treinadores
de bancada

levo comigo a dúvida
companheira amiga
na busca de saber

sonharei sempre

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o “A. Rendeiro” com o ti zé rebeço e manel antão

(torreira; regata do s. paio; 2015)

o caminho imperfeito


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lê o livro e entenderás

em coimbra, no dia 11 de outubro, josé luis peixoto em conversa amena e intimista apresentou a sua última obra.

aquilo que de início poderá parecer uma incursão do autor pela literatura de viagens transforma-se, ao longo da leitura, numa obra que mais do que a países nos leva ao interior do mundo de josé luís peixoto.

um livro a não perder.

pelo interesse da conversa entre o autor e a assistência que durou quase duas horas, desdobrei a gravação em 2 vídeos

nota: a ilustração/miniatura que dá capa a este vídeo só será entendível por quem tiver lido, ou depois de ler, o livro