viagem

a mulher, a muleta, o arinque, o barco adivinha-se, o mar sente-se
olho e sinto
como se hoje
a caminhada começa
pelo fim
que pernas estas
os olhos
por que caminhos
me levam
o sentir
as palavras
vou e fico
viajo em mim
(torreira; 2009)
viagem

a mulher, a muleta, o arinque, o barco adivinha-se, o mar sente-se
olho e sinto
como se hoje
a caminhada começa
pelo fim
que pernas estas
os olhos
por que caminhos
me levam
o sentir
as palavras
vou e fico
viajo em mim
(torreira; 2009)
fecho os olhos

fecho os olhos
para te ver
reinvento o corpo
desde a raiz o percorro
algures os lábios
eu sei
tão longe
(torreira; 2015)

apresentação realizada no auditório municipal da figueira da foz, integrada nos “7Sentidos”- Festa do Teatro e da Fotografia” organizada pelo Pateo das Galinhas – Grupo Experimental de Teatro.
a apresentação do livro foi feita por antero urbano e as falas interpretadas por actores do pateo: helena adão, ligia bugalho, filipa almeida, vitor silva e rui féteira.
o apoio da divisão da cultura da câmara municipal da figueira da foz, nomeadamente a disponibilidade de anabela zuzarte e da equipa técnica do auditório foi fundamental e inesquecível.
a todos os que estiveram presentes, ou por motivos inesperados não puderam estar, um grande abraço
(do evento fica o registo feito pelo amigo santos silva e editado por mim)
dos camelos

o mendigo basilius, criação do actor joaquim vieira basílio – arzila, 2015
no palco do mundo
artistas muitos há
poucos porém da arte
senhores são
pensam que não vejo
não sinto não sei
mas
também eu sou actor
fraco mas sou
tinha a palavra camelo
atravessada na garganta
como se espinha
saiu-me com a ajuda
do basilius
um verdadeiro actor
que já partiu
descansa em paz basilius
os camelos também
(arzila; 2015; feira medieval)
da escrita

o safar das redes da solheira
só escrevendo
me liberto
do que sinto
safar de outras
redes
da arte de viver
hoje não escrevi
(torreira; 2018)
hoje

o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro
entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda
o vento levou as memórias
onde habito
fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro
(torreira; regata da ria; 2011)
ti zé

eles pensam que sabem
porque atrás do nome
têm um título
são ignorantes
e não o sabem
ti zé
você não sabe que sabe
por isso é sábio
sabedoria ignorada
a da vida
(torreira; 2015)
caso perdido

sei que não saberás
onde estás quando
te derem por perdido
não saberás
como nunca soubeste
de tão perdido teres
andado sempre
talvez sejas
um caso perdido
(torreira; 2013)
balanço

deito-me cansado
de tudo
olho-me ao longe
no ter sido
estranho serem minhas
as palavras
quem era eu que me
não sei

(torreira; 2013)
meditação com a ria em fundo

o ti zé rebeço, homem da ria
quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe
vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme
crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes
o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos
se visíveis forem

ti zé rebeço, a ria como casa
(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013