estórias da berma da estrada *

se livro houvera
seria o título
disseste-me
conheço-te e
muitas estórias tuas
sei que
não haverá livro
porque
o título já o é
(* título roubado ao meu irmão domingos augusto)

(torreira; 2010)
estórias da berma da estrada *

se livro houvera
seria o título
disseste-me
conheço-te e
muitas estórias tuas
sei que
não haverá livro
porque
o título já o é
(* título roubado ao meu irmão domingos augusto)

(torreira; 2010)
hoje, dia 11 de janeiro, coincidência ou não, mas já havia protecção – móvel, mas havia.

prever e planear são duas coisas frequentemente estranhas entre nós.
era de prever que aqueles socalcos eram perigosos, logo deveria ter sido planeada e projectada protecção física impedindo quedas, a incluir na obra.
mas não, agora é preciso levantar pedras, implantar apoios para as protecções, voltar a regularizar calçada …. enfim, o povo paga.
para se ter uma ideia do espaço entre a saída do quiosque e a protecção, agora colocada, veja-se a foto seguinte:

sem comentários.
esperemos agora que a protecção fixa, definitiva, seja colocada.
até agora não se magoou ninguém, nem me parece que, com estas medidas provisórias se venha a magoar.
se foi por publicações no face, se por reclamações em sítios apropriados, nunca o saberemos. o que sabemos é que poucos dias depois da publicação que fiz e divulguei aqui está, coincidência ou não, o que se pretendia: a segurança dos cidadãos.
escrever
escrever como se
em pedra
esculpir letras
nelas o sentir
ferir os dedos
calejar os olhos
estranho ofício este
de escrever o sorriso
a lágrima
entre linhas

alar
(espinho; 2012)
escrever
escrever o que sinto
até
sentir o que escrevo
é neste labor
que os dias
se fazem maiores

(torreira; safar redes; 2013)
cigarra que canta a formiga

o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida
escrevo o que sinto
sou as minhas palavras
cigarra que canta a formiga
faz do inverno verão

(murtosa; cais do bico; 2016)

o quiosque e os socalcos
as obras continuam no cruzamento da joaquim sotto mayor com a rancho das cantarinhas continuam. continuam…..
eu cidadão confesso que não sei como ficará tudo, nem quando vão acabar. não há qualquer informação municipal sobre o quê, o como e até quando – uma placa de obra elucidativa, como mandam as regras.
mas não é isso que me preocupa agora. o que me preocupa são os “socalcos” em frente ao quiosque: uma armadilha para qualquer pessoa, mesmo se atenta. perguntei se ia haver uma estrutura de protecção e a resposta foi não. o que é facto é que já ia uma pessoa caindo e não será novidade que venham a cair e a magoar-se seriamente.
para que fique claro o que digo, fotografei e medi. as medidas dos “socalcos” são as seguintes: altura total – 55 cm, largura média – 16 cm, altura dos socalcos – variável entre 15 e 20 cm.
(nota: um degrau, para o ser, deve ter a largura mínima de 25 cm ….. veja-se: (http://www.civil.uminho.pt/lftc/textos_files/construcoes/cp2/cap.%20i%20-%20escadas.pdf)
as fotografias mostram o que é e como está. não quero publicar fotografias de acidentados, por isso este alerta.
oxalá – e já um vizinho me disse que divulgou no face o que se está a passar, e foi à câmara questionar – tudo seja corrigido antes que o pior aconteça.
PORMENORES DOS “SOCALCOS”


a austeridade na terceira idade
é preciso salvar o país
ouviu
fez as contas à vida
e perguntou-se
quem me salva a mim
mas era tarde para fugir

(morraceira; enfeitar; 2016)
ser sem o outro
por dentro dos dias
sempre por dentro dos dias
abrir os braços aceitar
aprender com o tempo
saber cortar
o que de podre nele
numa outra mão os dedos
prendem o que de são
o esquecimento chega
como se uma manhã súbita
não és outro
és sem o outro

(torreira; remendar rede)
a arte da fuga
a arte da fuga
não é exclusiva
de banqueiros
que o digam
os homens e as mulheres
do mar
a diferença
é que os primeiros fogem
com o que é dos outros
os segundos para salvar
o que de pouco têm
a vida e a roupa do corpo

(torreira; arribar; 2016)
pode ser o fim de

depois dos homens
muito depois
ficarão os destroços
memórias limpas
de ter havido gente
que fez barcos e filhos
pescou e disso viveu
procurarão então
rostos e histórias
mas será tarde
como sempre
quando ser de hoje
não é ser os seus
não estarás cá
para ouvir os lamentos
nem isso vales

(algures na ria de aveiro; num tempo a haver)